Todas as histórias, mesmo aquelas que não vão muito além de seus próprios desvios, precisam ambientar-se em alguma parte.
A questão que se põe – em que região do olho transcorre esta que se acaba de contar?
No branco? No azul?
Uma vez desligado o abajur,
o que é feito do homem forte que nos olhava diretamente ao umbigo?
Da amiga que, tendo que fechar o escritório às quintas-feiras, atravessa longos corredores desejando apenas não fazer nenhuma sombra?
De uns trens
quando havia dois nadas
de uns trens que o dividiam em dois
parentes remotos que viveram e morreram numa estação ferroviária azul
De uns trens
quando havia dois nadas
de uns trens que o dividiam em dois
parentes remotos que viveram e morreram numa estação ferroviária azul
A questão que se põe –
O que fazer o que fazer das memórias de infância daqueles que não nos amam
Dos que não alcançamos amar
Senão as mesmas palavras de onde nos lançamos
Todos os dias
repatriadas
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